quinta-feira, 25 de maio de 2017

Referencial Teórico

Gerenciamento de Finanças Pessoais
Define-se que Finanças Pessoais é a ciência que estuda a aplicação de conceitos financeiros nas decisões financeiras de uma pessoa ou família. Tal ciência engloba saúde, vestuário, alimentação, moradia, economia familiar e direitos do consumidor (CHEROBIM; ESPEJO, 2010 apud CRUZ; FÁVERI; KROETZ, 2012).

Além disso, deve-se considerar sempre a fase da vida em que se encontra o indivíduo a fim de que seu planejamento financeiro pessoal seja realmente eficiente. (CHEROBIM, 2009 apud ALONSO et al., 2012)

Também conhecido como Gestão de Finanças Pessoais, este tema deveria ser abordado com mais seriedade por milhares de pessoas no mundo todo, principalmente no Brasil onde, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, 39% da população adulta está inadimplente (SPC BRASIL, 2017a).

Uma das razões possíveis para tal tragédia econômica seria o fato de que, ainda segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, metade dos brasileiros não fazem controle do orçamento pessoal (SPC BRASIL, 2017b). Certamente esta não é a única razão para tal desastre. Impulsos corriqueiros do dia a dia como o simples desejo de se adquirir algo que na verdade não se necessita também contribuem com a atual situação financeira de milhares de brasileiros. Fenômeno este que é mais explorado no Caderno de Educação Financeira criado pelo Departamento de Educação Financeira do Banco do Brasil, como pode-se observar pela leitura do trecho, retirado do caderno, abaixo:

Vivemos em uma sociedade voltada para o consumo. Somos diariamente bombardeados com propagandas e artifícios criados com a finalidade de despertar nossas emoções e criar necessidades por produtos e serviços que, por vezes, nem mesmo precisamos ou queremos para nós, mas que simplesmente passamos a desejar.
                                      [...]
Muitas vezes, a pretexto de “manter o status”, as pessoas compram produtos de que não precisam, com dinheiro que não têm, para impressionar pessoas de quem não gostam – e, até, para demonstrarem ser quem de fato não são.
Devido a todo o bombardeio que sofremos, estimulando nossas emoções para o consumo, devemos estar atentos e, em certos momentos, esforçar-nos para incluir a razão em nossas decisões financeiras, sempre lembrando que o objetivo não é excluir as emoções de nossas escolhas, mas apenas dar a elas o peso adequado. (FELTRIM et al., 2013, p. 14)


Considerando os fatos apresentados neste segmento pode-se afirmar que aproximadamente mais da metade das famílias brasileiras não dão devida importância ao controle estratégico de suas próprias finanças e acabam se tornando inadimplentes o que consequentemente aumenta o índice de inadimplência do país.

Endividamento e Inadimplência no Brasil
Conforme a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC BRASIL (2017 apud Agência Brasil, 2017) 39,19% da população entre 18 e 95 anos, aproximadamente 59 milhões de pessoas, estão inadimplentes no Brasil. Além disso, a maior concentração desses inadimplentes estão no Sudeste, conforme ilustra o gráfico, baseado nessas informações apuradas pela CNDL e SPC BRASIL:

Figura 1 – Inadimplentes por Região no Brasil
Autor: Autor

Em números absolutos são 5,35 milhões de inadimplentes no Norte, 15,6 milhões no Nordeste, 4,84 milhões no Centro-Oeste, 8,29 milhões no Sul e 24,9 milhões no Sudeste.
E ainda segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) (CNC, 2017) “O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 55,6% em janeiro de 2017 [...]”, e também que “[...] O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes, por sua vez, apresentou alta em ambas as bases de comparação, alcançando 9,3% em janeiro de 2017 [...]”, sendo que uma pessoa é considerada endividada, quando por um determinado período de tempo terá uma parcela da sua renda comprometida, e caso essa pessoa não tenha condições de honrar esta dívida, ela poderá ser considerada inadimplente, podendo variar de dias a até meses, dependendo apenas da organização que foi lesada.

Quadrado 1 – Síntese dos Resultados
Autor: CNC (2017)

A má educação financeira do brasileiro é notória quando as porcentagens dos níveis de endividamento e da parcela de comprometimento da renda com dívidas são tão expressivas. O recomendado, de acordo o gerente o geral do INI (Instituição Nacional de Investidores) Mauro Calil (2012) é comprometer a até no máximo 30% da sua renda.

Figura 2: Nível de Endividamento – Comparação Anual
Autor: CNC (2017)

Quadro 2: Parcela da Renda Comprometida com Dívida (entre os endividados)
Autor: CNC (2017)


Por fim, a CNC no final de sua pesquisa ainda destaca que “Apesar da redução do endividamento e das contas em atraso, piorou a percepção das famílias em relação ao seu endividamento e à sua capacidade de pagamento; ”, o que só reforça que a educação financeira do brasileiro ainda não está bem consolidada.


Sistemas de Informação Financeiros
Para desenvolver nosso sistema de finanças pessoais tomamos como base de inspiração outras alternativas para o gerenciamento de finanças pessoais que já se encontram no mercado atualmente. Base de inspiração esta que teve como objetivo facilitar o desenvolvimento de ideias para as funcionalidades do nosso sistema de finanças pessoais.
Abaixo os sistemas financeiros que nos serviram como base de inspiração:

GuiaBolso
Ferramenta online de controle financeiro gratuita, disponível em smartphones com Android ou iOS. O software tem como foco diferencial o gerenciamento de diferentes contas bancárias de bancos, como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, e de operadoras de cartão de crédito, como Nubank e Amex, sendo este “[...] o único do mercado brasileiro que se conecta às contas bancárias das principais instituições financeiras do Brasil [...]” (GUIABOLSO, 2015), para tanto, a ferramenta requer o CPF e acesso aos dados bancários do usuário, considerando ainda que a ferramenta em si não é homologada pelos bancos, ou seja caso haja algum tipo de falha na segurança e dados financeiros sejam vazados os bancos não podem ser responsabilizados, o que “[...] deixou alguns usuários temerosos, como mostram avaliações deixadas por internautas na App Store (o aplicativo tem aceitação favorável, de 4/5).”(O GLOBO, 2014).
Microsoft Excel
Aplicativo de criação de planilhas eletrônicas muito popular no mundo todo tanto para uso doméstico e acadêmico quanto profissional. O Excel em sua essência não é considerado um gerenciador de finanças, porém devido a sua popularidade e versatilidade muitas empresas e indivíduos hoje apostam em suas planilhas XLS para manusear seus dados financeiros.
Vale ressaltar que o principal objetivo do InnerBank é ser uma alternativa mais ágil, simples e eficiente para aqueles que procuram controlar suas finanças pessoais, portanto escolhemos nos restringir ao controle off-line de finanças pessoais, diferente do GuiaBolso que tem como maior diferencial (e maior razão para insegurança de seus usuários) a integração com diversas contas bancárias e agências de cartão de crédito.

Referências:
GUIABOLSO. “Agora você pode conectar NuBank e Amex no GuiaBolso”. Disponível em: <https://blog.guiabolso.com.br/2015/10/29/guiabolso-conecta-nubank-e-amex/>. Acesso em 22 de maio de 2017.
O GLOBO. Apps de finanças evoluem e acessam a conta corrente”. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/apps-de-financas-evoluem-acessam-conta-corrente-13637410>. Acesso em 22 de maio de 2017.
SPC BRASIL. “Metade dos brasileiros não fazem controle do orçamento pessoal, mostra pesquisa do SPC Brasil e CNDL”. Disponível em: <https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/noticia/2447>. Acesso em 22 de maio de 2017.

SPC BRASIL. “39% da população adulta está inadimplente, mostra indicador do SPC Brasil e CNDL”.  Disponível em: <https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/noticia/2911>. Acesso em 22 de maio de 2017.

CRUZ, Bruna Heloísa da; KROETZ, Marilei; FÁVERI, Dinorá Baldo de. “GESTÃO FINANCEIRA PESSOAL: UMA APLICAÇÃO PRÁTICA”. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos12/19116831.pdf>. Acesso em 24 de maio de 2017.
FELTRIM, Luiz Edson et al. “Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais (Conteúdo Básico)”. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf>. Acesso em 24 de maio de 2017.
EVANGELISTA, Armindo Aparecido et al. “Pfpf: Planejamento Financeiro para Pessoa Física”. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos12/12716112.pdf>. Acesso em 24 de maio de 2017.
EXAME. “Total de inadimplentes cai, mas ainda representa 39% da população”. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/economia/total-de-inadimplentes-cai-mas-ainda-representa-39-da-populacao/>. Acesso em 22 de maio de 2017.
CNC. “Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) - janeiro 2017”. Disponível em: <http://cnc.org.br/central-do-conhecimento/pesquisas/economia/pesquisa-nacional-de-endividamento-e-inadimplencia-do--26>. Acesso em 22 de maio de 2017.
CNC. “Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) - janeiro 2017”. Disponível em: <http://cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/graficos_peic_janeiro_2017.pdf>. Acesso em 22 de maio de 2017.
CNC. “Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) - janeiro 2017”. Disponível em: <http://cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/analise_peic_janeiro_2017.pdf>. Acesso em 22 de maio de 2017.
           TERRA. “Consumidor deve comprometer no máximo 30% da renda com dívidas”. Disponível em: <https://www.terra.com.br/economia/consumidor-deve-comprometer-no-maximo-30-da-renda-com-dividas,c5b824b095831410VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>. Acesso em 22 de maio de 2017.


Nenhum comentário:

Postar um comentário